AMIN MAALOUF, um grande romancista histórico da literatura contemporânea, nascido no Líbano em 1949, e que vive em Paris desde 1976.
O primeiro livro que li de Maalouf foi há mais de 10 anos, intitulado “O século prim
eiro depois de Beatriz”(1992). Depois "Samarcanda" e "Identidades Assassinas". Selecciono no entanto o último livro do autor “Um mundo sem regras” (2009), não por preferência pessoal, mas pelo seu carácter oportuno, pela mensagem e pela verdade."Um Mundo sem regras" de Maalouf reflecte o desregramento intelectual, económico, e moral do mundo no século XXI, onde “entrámos sem bússola”.
O livro é todo ele uma reflexão sobre os sinais de um desregramento que tem arrastado o planeta para consequências imprevisíveis, e que é o sintoma de uma perturbação do nosso sistema de valores. Segundo o autor este desregramento deve-se sobretudo a uma crise de valores, e aponta o dedo às civilizações, nomeadamente dos dois “mundos” que o próprio reclama para si - o Ocidente e o mundo Árabe.
Para Maalouf a humanidade atingiu o seu”limiar de incompetência moral”, e parte da solução para a situação a que chegámos passará pela solidariedade efectiva e por acções conjugadas para fazer face aos perigos que assediam o mundo, e que são sobretudo a proliferação de bombas atómicas, o esgotamento de recursos naturais, e as perturbações climáticas.
Destaco a imagem alegórica que o próprio diz pairar sobre si, e que o acompanhou desde que iniciou o livro “a de um grupo de alpinistas que fazem escalada, mas que devido a um safanão, começam a desequilibra-se”, o autor esforça-se por compreender as razões porque estes homens correm este imenso risco, e como poderão “voltar a colar-se” à parede rochosa e retomar a sua subida.
Para mim é um diagnóstico do mundo actual certeiro, muito inquietante, mas com caminhos de esperança.
4 de Maio de 2010
Sónia Felicidade
Coordenadora do Centro
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