quinta-feira, 27 de maio de 2010

Porque não Fernando Pessoa?

Já que parece que hoje seguimos uma lógica de falar de autores portugueses, porque não tocar no nome do nosso ilustre Fernando Pessoa. Para quem lhe fascina a poesia, um dos nomes que devemos mencionar será mesmo este: Fernando Pessoa. Autor de muitas caras, muitas personagens e ao mesmo tempo único.
Deixo apenas um poema, talvez dos mais conhecidos, de modo a despertar a curiosidade para o nosso grande poeta.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(in Cancioneiro)

Carina Ramalho
(Formadora CP / CLC)

Livros gratuitos na internet



A internet, como sabemos, é um mundo a explorar. Actualmente, além de todos os serviços disponíveis, é possível também ler livros online ou simplesmente descarregá-los para o nosso computador e assim, podemos lê-los em qualquer altura. Podemos até criar uma biblioteca no nosso computador!
Deixo-vos como sugestão, o site http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal, onde podem encontrar livros em português de diversos autores.
O site pertence ao Projecto Gutenberg, o mais antigo produtor de livros electrónicos grátis na Internet. Esta biblioteca é produzida por centenas de voluntários que colaboram na digitalização e revisão das obras. Actualmente estão disponíveis mais de 20 mil livros online, em diversos idiomas.

Para aguçar o apetite, deixo um pequeno excerto da obra “Agulha em Palheiro”, de Camilo Castelo Branco, um escritor português nascido em Lisboa em 1825.


“Posto que a leitura lhe deliciasse muitas horas do dia e noite, Francisco Lourenço cuidava attentivamente no bom regimen de sua casa. Era elle quem talhava a obra superior, e a distribuia aos officiaes, quem recebia as damas freguezas, e com muito bom modo satisfazia seus caprichos. Os dias sanctificados passava-os com sua mulher e pae no Cartaxo, onde ia formando deposito de livros, amigos da velhice, como elle dizia. Tencionava Francisco ir lá passar o ultimo quartel da vida, empregando-a, sem outras distracções, no enlevo dos bons auctores que ia conhecendo.” (Capítulo II)
Luciana Furtado
(Profissional RVC)

Sugestão de leitura



Camilo Castelo Branco
Coração, Cabeça e Estômago




Esta história fala-nos da principal ambição de todos nós – ser feliz – e de um homem que planeia toda a sua vida em função desse objectivo.
Primeiro, tenta encontrar a felicidade no coração (no amor). Apaixona-se, mas em breve se desilude e compreende que o negócio amoroso não passa de uma fonte de dissabores e de infelicidade. Conclui que o amor sincero não existe e que por isso não pode proporcionar felicidade.
Procura-a então na cabeça (na inteligência). Para isso, foge a todas as fontes de prazer e tudo o que o possa distrair do seu objectivo de procurar no estudo e na cultura a verdadeira felicidade. Mas em breve percebe que quanto mais aprende, mais lhe fica por aprender e que esse também não pode ser o caminho para a felicidade. Refugia-se então no estômago (nos prazeres da comida e da boa vida) e é aí, no retiro campestre, casado não por amor mas por amizade, de “barriga cheia” e afastado da civilização, que se sente feliz.
Uma história divertidíssima e recheada de profunda ironia e peripécias que é uma perfeita caricatura do idealismo e do realismo mais puro.

“O meu erro tem sido procurar a alma amante e sisuda na mulher dos vinte anos
e a formosura e a graça na de cinquenta. A primeira é um sinal que todos me cobiçam; a segunda é um bem que ninguém me
questiona. Não me serve nenhuma, por isso.”

Eduardo dos Santos
(Formador LC, CE)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Poeta António Aleixo - Sugestão





O poeta António Aleixo, conhecido como «O Poeta do Povo», nasceu em Loulé em 1899 e ficou conhecido pela ironia e crítica social presente nos seus versos, tendo deixado uma obra poética singular, no panorama literário português da primeira metade do século XX. Sendo cauteleiro e pastor de rebanhos, António Aleixo ficou conhecido por compor e improvisar nas mais diversas situações: cantando numa feira ou numa festa de aldeia; a pedido de amigos; aproveitando traços caricaturais de pessoas conhecidas.
De acordo com Joaquim de Magalhães, o que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano de moralista, com que aprecia os acontecimentos e as acções dos homens.
Fica um convite à sua leitura, numa pequena amostra da obra que nos deixou…

Onde Nasceu a Ciência e o Juízo?

MOTE

— Onde nasceu a ciência?...

— Onde nasceu o juízo?...

Calculo que ninguém tem

Tudo quanto lhe é preciso!


GLOSAS
Onde nasceu o autor

Com forças p'ra trabalhar

E fazer a terra dar

As plantas de toda a cor?

Onde nasceu tal valor?...

Seria uma força imensa

E há muita gente que pensa

Que o poder nos vem de Cristo;

Mas antes de tudo isto,

Onde nasceu a ciência?...


De onde nasceu o saber?...

Do homem, naturalmente.

Mas quem gerou tal vivente

Sem no mundo nada haver?

Gostava de conhecer

Quem é que formou o piso

Que a todos nós é preciso

Até o mundo ter fim...

Não há quem me diga a mim

Onde nasceu o juízo?...


Sei que há homens educados

Que tiveram muito estudo.

Mas esses não sabem tudo,

Também vivem enganados;

Depois dos dias contados

Morrem quando a morte vem.

Há muito quem se entretém

A ler um bom dicionário...

Mas tudo o que é necessário

Calculo que ninguém tem.


Ao primeiro homem sabido,

Quem foi que lhe deu lições

P'ra ter habilitações

E ser assim instruído?...

Quem não estiver convencido

Concorde com este aviso:

— Eu nunca desvalorizo

Aquel' que saber não tem,

Porque não nasceu ninguém

Com tudo quanto é preciso!


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."


Luciana Furtado
(Profissional de RVC)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Actividades na Biblioteca da Escola Básica 2,3 São Vicente de Vila do Bispo

O Centro Novas Oportunidades da Associação Vicentina e a Biblioteca da Escola Básica 2, 3 São Vicente de Vila do Bispo, protocolaram a dinamização de actividades conjuntas, com vista ao incentivo de hábitos de leitura, e ao conhecimento geral sobre uma biblioteca e o seu funcionamento, junto dos candidatos em processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC).

A professora bibliotecária do agrupamento de escolas de Vila do Bispo e os formadores do Centro vão realizar as seguintes actividades:

- Sessões de informação na Biblioteca, sobre funcionamento, organização e pesquisa numa biblioteca;
- Sessões de RVCC na biblioteca, integradas nas áreas de competência-chave de LC (Linguagem e Comunicação) e de CLC (Cultura, Linguagem e Comunicação).

A titulo de nota informativa , a BE-Vila do Bispo disponibiliza no http://besvicente.blogspot.com/ informações que podem ser muito úteis e complementares aos processos de RVCC, a saber: Um trabalho de pesquisa ;Um resumo;Um relatório e/ ou Um curriculum vitae .

Esta é a primeira biblioteca que integra o projecto Vicentina NOL + , estando o Centro a desenvolver esforços no sentido de vir a articular actividades com as várias bibiotecas escolares, municipais e pólos de leitura locais existentes em todos os concelhos onde intervém - Vila do Bispo, Lagos, Monchique e Aljezur.



terça-feira, 4 de maio de 2010

A minha sugestão ...


AMIN MAALOUF, um grande romancista histórico da literatura contemporânea, nascido no Líbano em 1949, e que vive em Paris desde 1976.
O primeiro livro que li de Maalouf foi há mais de 10 anos, intitulado “O século primeiro depois de Beatriz”(1992). Depois "Samarcanda" e "Identidades Assassinas". Selecciono no entanto o último livro do autor “Um mundo sem regras” (2009), não por preferência pessoal, mas pelo seu carácter oportuno, pela mensagem e pela verdade.

"Um Mundo sem regras" de Maalouf reflecte o desregramento intelectual, económico, e moral do mundo no século XXI, onde “entrámos sem bússola”.
O livro é todo ele uma reflexão sobre os sinais de um desregramento que tem arrastado o planeta para consequências imprevisíveis, e que é o sintoma de uma perturbação do nosso sistema de valores. Segundo o autor este desregramento deve-se sobretudo a uma crise de valores, e aponta o dedo às civilizações, nomeadamente dos dois “mundos” que o próprio reclama para si - o Ocidente e o mundo Árabe.
Para Maalouf a humanidade atingiu o seu”limiar de incompetência moral”, e parte da solução para a situação a que chegámos passará pela solidariedade efectiva e por acções conjugadas para fazer face aos perigos que assediam o mundo, e que são sobretudo a proliferação de bombas atómicas, o esgotamento de recursos naturais, e as perturbações climáticas.
Destaco a imagem alegórica que o próprio diz pairar sobre si, e que o acompanhou desde que iniciou o livro “a de um grupo de alpinistas que fazem escalada, mas que devido a um safanão, começam a desequilibra-se”, o autor esforça-se por compreender as razões porque estes homens correm este imenso risco, e como poderão “voltar a colar-se” à parede rochosa e retomar a sua subida.


Para mim é um diagnóstico do mundo actual certeiro, muito inquietante, mas com caminhos de esperança.

4 de Maio de 2010
Sónia Felicidade
Coordenadora do Centro
Branquinho da Fonseca, O Barão

Um inspector escolar é chamado a fazer serviço à Serra do Barroso, num local longínquo e afastado da cidade, no norte de Portugal. Aí conhece uma criatura singular, um Barão, um homem de outros tempos que vive recolhido num castelo. Convida o inspector a sua casa, onde jantam e pernoitam. Entre vinho, comida, dança, ilusão, o Barão partilha as suas inúmeras histórias com o inspector, na presença de Idalina, a criada, e de uma tuna que toca, inebriante. A noite avança e mergulham num ambiente de sonho, onde a fantasia se mistura com a realidade e o inspector arriscará a própria vida para descobrir a verdade que tudo explica: o Barão ama…ou amou.
Uma história intensa entre duas personalidades, dois tempos, que embora diferentes se complementam e se compreendem. Uma lição que ensina que a característica humana mais essencial – a capacidade de amar – é quanto basta para ultrapassar as maiores diferenças.

“Não gosto de viajar. Mas sou inspector das escolas de instrução primária e tenho a obrigação de correr constantemente todo o País. Ando no caminho da bela aventura, da sensação nova e feliz, como um cavaleiro andante. Na verdade lembro-me de alguns momentos agradáveis, de que tenho saudades, e espero ainda encontrar outros que me deixem novas saudades. É uma instabilidade de eterna juventude, com perspectivas e horizontes sempre novos. Mas não gosto de viajar.”

Eduardo dos Santos
(Formador LC, CE)

Sugestão de leitura


Mª Teresa Maia Gonzalez; A lua de Joana


Considerado um livro para adolescentes não poderei deixar de focar que, para mim, é um dos livros que não tem idades. Uma história impressionante, realista, que nos cativa por tocar a todos nós (pais, amigos, irmãos). É um livro de leitura acessível a qualquer pessoa. Cativa-nos por retratar uma realidade tão actual que nos leva a pensar noutros planos da nossa própria realidade, tanto humana como social.
“A lua de Joana” alerta-nos para a questão de estarmos mais atentos ao outro e ao facto de, na maioria das vezes, deixarmos para segundo plano as coisas mais importantes.
Não poderei fazer resumo do livro, um resumo apenas não chega, corria o risco de não tocar os aspectos mais importantes desta leitura.
Aconselho este livro aos pais, aos irmãos, aos avós, tios…enfim, a toda a sociedade. Não criticando os mais jovens, já que muitas vezes a nossa “desatenção” é a maior culpada!

Querida Marta,
Esta noite tive o pesadelo mais incrível de sempre!...Eu estava sozinha num lugar que parecia o céu, mas não era... Comecei a subir as escadas e, quando cheguei quase o cimo, vi que estava alguém à minha espera. Era uma espécie de anjo, com um manto escuro, mas não tinha cara... percebi que tinha de segui-lo...
Que é isso? (perguntou a mãe ao pai)
São cartas... da Joana...
Encolheu as pernas lentamente e fixou os olhos inchados naquele baloiço estranho suspenso no tecto em forma de lua.
Desapertou a correia do relógio e pousou-o devagar sobre a mesinha. Agora, tinha todo o tempo do mundo. para quê?”


Carina Ramalho

(Formadora CP/CLC)